por Maria Fernanda Moraes

Hemingway em Idaho (Foto: Lloyd Arnold)


Ernest Hemingway é desses escritores que a vida pessoal interessa tanto aos leitores quanto sua obra.

Isso porque além de escritor, ele já fez de tudo um pouco: foi repórter do jornal Kansas City Star, motorista de ambulância da Cruz Vermelha no front durante a I Guerra Mundial, sparring de pugilistas em Chicago e escritor do Toronto Star, além da temporada de boemia e experimentações artísticas em Paris nos anos 1920.

Para entender um pouco de suas andanças, vamos começar com uma breve biografia. Hemingway nasceu em 21 de julho de 1899, em Oak Park, Illinois, Estados Unidos.

Depois do ensino médio, partiu para suas aventuras e durante sua estadia em Chicago, se casou com Hadley Richardson, com quem se mudou para Paris, onde começou a aprimorar suas habilidades de escrita.

Após seis anos de casamento e um filho, John (conhecido como Jack ou Bumby), Hemingway se divorciou de Hadley em 1927 para casar-se com Pauline Pfeiffer, que durou 13 anos. O casamento com Pauline começou a desmoronar depois que ele conheceu Martha Gellhorn, também escritora e correspondente de guerra durante a Guerra Civil Espanhola.

Casaram-se em 1940 e o relacionamento chega ao fim alguns anos depois. Em 1946, ele se casa novamente, dessa vez com Mary Welsh, também jornalista, que permaneceu ao seu lado até sua morte.

Com o divórcio de Pauline, Hemingway saiu de sua casa em Key West, na Flórida, para viver em Cuba, numa casa nos arredores de Havana, em Finca Vigia.

Em 1960, a Revolução Cubana o forçou sair da ilha, e ele voltou para os Estados Unidos com sua então esposa Mary. Mudaram-se para Ketchum, em Idaho.

Depois de atingir seu auge literário com O Velho e o Mar, livro publicado em 1952 que ganhou o Prêmio Pulitzer e o Prêmio Nobel, sua saúde foi deteriorando. Hemingway cometeu suicídio em sua casa em Ketchum, em 2 de julho de 1961.

OAK PARK, ILLINOIS, EUA

casa_Illinois
Casa onde o escritor nasceu, em Oak Park

Hemingway viveu até os 18 anos em sua cidade Natal, Oak Park, em Illinois, lugar que ele descreveu posteriormente como “amplos gramados e mentes estreitas”.

A casa onde ele nasceu e morou por seis anos está aberta à visitação pública e fica junto a um museu em sua homenagem, The Ernest Hemingway Foundation of Oak Park.

O museu mantém exposições de fotos de família e outras peças como o diário de infância de Hemingway e a famosa carta da enfermeira Agnes von Kurowsky, depois retratada no livro Adeus às armas.

Mais informações sobre o museu

KEY WEST, FLÓRIDA, EUA 

Casa_Key_West_sala
Dizem que partiu de John dos Passos, seu colega da Geração Perdida, o conselho para que Hemingway conhecesse Key West. Depois de voltarem de Paris, o destino do casal Ernest e Pauline foi, então, a Flórida, onde passaram a morar numa casa presenteada pelo tio de Pauline.

Casa_Key_West_quartoEm estilo colonial espanhol, a casa da rua Whitehead foi construída em 1851, talhada em pedras da região. O escritor viveu ali entre 1931 e 1940.

Hoje, a casa  foi transformada em um museu, o The Ernest Hemingway Home & Museum, e oferece visitas guiadas diárias.

Mais informações sobre o museu

 

O escritor e a esposa na piscina da casa em Key West
O escritor e a esposa na piscina da casa em Key West

Foi durante sua estadia na Flórida que Ernest terminou o livro Adeus às armas e também se apaixonou pela pesca, influenciado pelo amigo Charles Thompson, que conheceu assim que chegou na cidade.

Além da visitação à casa, Key West promove a Celebração Anual do Dia de Hemingway, durante o mês julho, aniversário do escritor.

O evento tem algumas atrações divertidas, como o concurso de sósias de Hemingway realizado no Sloppy Joe’s Bar, o preferido do escritor. 

Sósias de Hemingway no concurso do Sloppy Joe's
Sósias de Hemingway no concurso do Sloppy Joe’s

Também acontece o Lorian Hemingway Short Story Competition, um concurso para jovens escritores promovido pela neta de Hemingway.

A Corrida dos Touros é outra atração: homens levando cabeças de touros presas a rodas, em memória da corrida de touros na Espanha que Hemingway descreveu em O Sol Também se Levanta. Competições de stand-up paddle e pesca também estão entre as atividades.

O museu Custom House, também na cidade, promove exposições periódicos sobre o morador ilustre.

PIGGOT, ARKANSAS, EUA

Hemingway e sua segunda mulher, Pauline Pfeiffer, visitavam a família dela com frequência em Piggott, no Arkansas. A família Pfeiffer era abonada e vinha e uma tradição de banqueiros e proprietários rurais.

Junto da casa da família havia um celeiro, que foi transformado em estúdio pelos pais de Pauline para que Hemingway pudesse escrever melhor quando os visitassem. O início de Adeus às armas foi feito lá, assim como vários contos.

Celeiro da família Pfeiffer transformado em estúdio para Hemingway, em Piggot
Celeiro da família Pfeiffer transformado em estúdio para Hemingway, em Piggot

A antiga casa da família foi restaurada e hoje abriga o The Hemingway-Pfeiffer Museum and Educational Center, que oferece cursos de literatura e história da região.

Mais informações sobre o museu

KETCHUM, IDAHO, EUA

A cidade de Ketchum abriga lembranças não tão boas sobre o escritor. Foi na entrada de sua última casa na cidade, nas montanhas de Idaho, que Hemingway se suicidou com um tiro na cabeça, logo depois de seu 62º aniversário, em 1961.

A casa está fechada ao público, seguindo uma determinação de Mary Hemingway, a quarta mulher do escritor, que faleceu em 1986.

A The Community Library, biblioteca pública de Ketchum, organiza anualmente o The Ernest Hemingway Festival, um evento em homenagem ao escritor que a cada ano traz um tema de estudo sobre a sua obra (em 2014 foi o seu período em Cuba).

Além de leituras, há exibições de filmes e atividades esportivas que ele gostava, como competição de tiro ao alvo.

O escritor está enterrado no cemitério de Ketchum.

Perto de Ketchum fica o Sun Valley Resort, um hotel que Hemingway visitou pela primeira vez em 1939, quando já estava se separando de Pauline.

Ele costumava passar os outonos por lá, onde além de escrever podia caçar e pescar, desfrutando do anonimato. O escritor foi convidado pelo dono do hotel, além de ser amigo da poeta Ezra Pound, que era da região.

A suíte número 206 do hotel ficou famosa por hospedar Hemingway e sua então namorada, Martha Gellhorn. Ele logo apelidou o quarto de “Glamour House.”  Foi lá que escreveu grande parte de “Por Quem os Sinos Dobram”.

O quarto tem hoje um busto de bronze do autor, uma máquina de escrever e fotos, e pode ser reservado pelo público. O restaurante do hotel também faz homenagens ao escritor. Os clientes podem se deliciar com o Hemingway meat loaf.

Mais informações sobre o hotel

Em breve, a segunda parte  da rota biográfica, com a temporada cubana de Hemingway.

PARA LER

    • Adeus às Armas, Ernest Hemingway (Editora Bertrand)
    • O sol também se levanta, Ernest Hemingway (Editora Bertrand)
    • Paris é uma festa, Ernest Hemingway (Editora Bertrand)
    • Por quem os sinos dobram, Ernest Hemingway (Editora Bertrand)