por Maria Fernanda Moraes

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Aqui no Roteiros a gente já publicou alguns posts sobre lugares especiais de São Paulo, mas reconhecemos que ainda falta muita coisa a ser explorada nessa cidade de mil possibilidades.

Aproveitando o mês em que a cidade completa 461 anos, relembramos as dicas que já passaram por aqui e também listamos alguns livros que trazem a capital paulista como cenário:

Escultura do poeta Álvares de Azevedo

A curta passagem de Álvares de Azevedo por São Paulo
Os passos do poeta romântico pelo “centro velho” da São Paulo do século 19

A dama dos livros raros no centro de São Paulo
Fomos conhecer mais sobre a livraria Calil, o mais antigo sebo e livraria antiquária de São Paulo, comandado por Maristela Calil

O mineiro HenfilHenfil e a turma do “Bunker” em São Paulo
Algumas memórias do apê onde o cartunista mineiro morou em São Paulo, no final dos anos 1970, e abrigou Laerte, Angeli, Glauco e Nilson

Venha até São Paulo ver o que é bom pra tosse
O jornalista João Correia Filho, autor do livro ‘São Paulo, literalmente’ cita os seus lugares literários do coração na capital paulista

CasaGuilherme8A casa da colina de Guilherme de Almeida
O museu Casa Guilherme de Almeida, em SP, mantém a decoração e o acervo de livros e obras artes do poeta

 

 

 


PARA LER:

Capa pornopopeiaPornopopéia, Reinaldo Moraes (ed. Objetiva)

Talvez um dos mais conhecidos desta leva de livros contemporâneos sobre a cidade de São Paulo, Pornopopéia retrata o submundo da capital, com bebidas, drogas e prostituição.

Zeca, o protagonista, é um cineasta decadente que fez sucesso com apenas uma produção, é ex-diretor de películas pornôs e agora vive de filmes institucionais.

Ele tem mulher e filho pequeno que pouco aparecem na trama, e é na esbórnia que ele se encontra: prostitutas, travestis e traficantes são parte do cenário.

A história se divide em duas partes. E é na primeira que aparecem os cenários e os diálogos do submundo da metrópole.

foto5_Capa_Capao_PecadoCapão Pecado, Ferréz (ed. Objetiva)

Capão Pecado é o livro de estreia de Ferréz, um dos nomes representativos da literatura marginal.

Conta a história de Rael, um garoto que queria ser escritor e se apaixona por Paula, namorada de Matcherros, seu amigo.

A narrativa é ambientada em Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, e traz as gírias e a linguagem oral da periferia.

Além do triângulo amoroso, a história mostra o cotidiano da favela, os pistoleiros de plantão, o envolvimento dos protagonistas com tráfico de drogas e assaltos.

foto13_capa_Corpo_a_corpo_com_o_concretoCorpo a corpo com o concreto, Bruno Zeni (Azougue Editorial)

Romário Ribeiro, o Roma, é um jornalista de 25 anos e morador da Pompeia, um bairro vizinho da Vila Madalena. Roma protagoniza uma das duas histórias de Corpo a Corpo com o Concreto.

A outra voz narrativa do livro é um morador de rua, Amaro, que se define como um “Eu cão-imundo”, como “Eu não-homem”. As histórias são narradas em primeira pessoa e se relacionam: falam da vida suburbana, com um tom de nostalgia, que sobrevive “entre sinucas e escadarias e pichações de Pinheiros”.

As vozes narrativas se alternam até que Roma passa a encontrar o mendigo pelo bairro e quer trocar impressões sobre a cidade, apesar de enfrentarem realidades contrastantes.

foto1_capa_eles_eram_muitos_cavalos Eles eram muitos cavalos, Luiz Ruffato (Companhia das Letras)

É uma terça-feira, dia 9 de maio de 2000, que abriga as 69 histórias de Eles Eram Muitos Cavalos.

As tramas são curtas e aparentemente sem ligação, até que se percebe que elas são, na verdade, pedaços do caos da metrópole paulistana.
As histórias vão construindo um romance cheio de sotaques diferentes, conflitos familiares e cotidiano das classes baixa, média e alta. Em cada uma, parte da cidade é revelada.

Muitas referências da cidade aparecem nas histórias, como a Praça Villaboim, um restaurante perto do Palmeiras, ou o chope e tira-gosto do Galinheiro Grill.

foto4_capa_O_louco_de_palestraO louco de palestra e outras crônicas, Vanessa Barbara (Companhia das Letras)

As crônicas, tão presentes no cotidiano das grandes cidades, não poderiam ficar de fora desta seleção.

Em tom bem-humorado, Vanessa explora vários rincões da capital paulista. Usuária assídua do transporte público, ela dedica várias crônicas às peculiaridades que só acontecem dentro dos ônibus e já fez um estudo sobre os trajetos e nomenclaturas dos coletivos na cidade.

Outras indagações urbanas também são bem pertinentes: “Não dá pra entender como ainda não despoluíram o Tietê e o Pinheiros; nem por que só um em cada dez orelhões costuma funcionar”. Há ainda que se ressaltar o seu carinho especial pelo bairro em que nasceu, o Mandaqui, na zona norte, personagem essencial em sua obra.

100-historias-colhidas-na-rua-fernando-bonassi-14600-MLB96951146_1810-O100 histórias colhidas na rua, Fernando Bonassi (ed. Scritta)

Como uma espécie de retrato instantâneo da realidade urbana, o livro de Fernando Bonassi reúne 100 microcontos sem nome, que não ocupam mais do que duas páginas cada um.

São histórias aleatórias, que têm a cidade como cenário: “Puseram fogo no quarteirão inteiro e, agora que cortaram a luz dessa parte do bairro, a impressão é que a Celso Garcia está crepitando”, narra logo o primeiro conto.

Além das narrativas trazerem lugares familiares para os moradores da capital, o que faz com que o leitor se identifique com o sentimento de pertencimento à cidade é o choque cruel com a violência.