por Andréia Martins


VISITADOComo era vontade do escritor Mário de Andrade (1893-1945), sua cabeça está guardada na Lopes Chaves, 546, endereço da casa onde morou com a família e que foi reaberta em São Paulo, no ano em que o autor completaria 70 anos. Ali estão dois bustos do escritor, em semblante sereno, guardando parte de sua história e obra.

O local reabre com novo nome, Oficina Cultural Casa Mário de Andrade, e agora pretende levar movimento abrigando oficinas culturais e a exposição permanente “O Coração Perdido”, que conta a história de Mário reunindo objetos pessoais, móveis antigos e réplicas e todo um conjunto de memórias e afetos que o autor paulistano acumulou em vida.

Logo na entrada, o visitante se depara com um mobile com o traço mais marcante do autor: seus óculos redondos. Nos primeiros passos você encontra objetos pessoais do autor, como carteira de trabalho, documentos eleitorais e um curioso caderno de finanças.

RETRATOS DE DIFERENTES FASES DE MÁRIO DE ANDRADE (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)
RETRATOS DE DIFERENTES FASES DE MÁRIO DE ANDRADE (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)
MOBILE NA ENTRADA DA CASA (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)
MOBILE NA ENTRADA DA CASA (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)

 

 FRASE DE MARIO DECORANDO UMA DAS SALAS DA CASA (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)
FRASE DE MARIO DECORANDO UMA DAS SALAS DA CASA (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)

 

O primeiro andar da casa contempla uma grande sala aberta, a biblioteca onde Mario tocava piano e dava aulas – ali, entre livros, o piano e partituras, o visitante pode ver um dos programas de aula, chamada de “Chás Musicais do professor Mário de Andrade”. Num deles, datado de setembro de 1924, a aula trazia Beethoven, Chopin, Schumann e outros. Os livros ali reunidos não pertenciam à coleção original de Mário. O curador, Carlos Augusto Calil, optou por colocar livros ligados à obra do escritor e aos modernistas.

O PIANO, LOCALIZADO NA BIBLIOTECA E ONDE MÁRIO REALIZAVA AULAS DE MÚSICA (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)
O PIANO, LOCALIZADO NA BIBLIOTECA E ONDE MÁRIO REALIZAVA AULAS DE MÚSICA (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)

 

A SALA ONDE ESTÃO EXPOSTOS RETRATOS, OBJETOS, CARTAS E POSTAIS, BEM COMO A PROGRAMAÇAÕ DA SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922 (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)
A SALA ONDE ESTÃO EXPOSTOS RETRATOS, OBJETOS, CARTAS E POSTAIS, BEM COMO A PROGRAMAÇÃO DA SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922 (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)

 

FOTO ANTIGA DO ESTÚDIO DE MÁRIO NA CASA. MUITOS LIVROS E OBRAS DE ARTE (Foto: Germano Graeser/Iphan-SP/MinC)
FOTO ANTIGA DO ESTÚDIO DE MÁRIO NA CASA. MUITOS LIVROS E OBRAS DE ARTE (Foto: Germano Graeser/Iphan-SP/MinC)

 

Na outra sala há retratos de diferentes fases de Mário, postais enviados por amigos ilustres das artes e literatura, um dos programas da Semana de Arte Moderna de 1922 e vídeos e trechos de relatos da viagem que o autor fez por Minas Gerais, Belém, Bolívia e Peru.

O segundo andar da casa traz um material multimídia com vídeos ligados à vida e obra de Mário e três salas onde serão realizados cursos e oficinas. Ao lado da casa foi erguido um galpão onde poderão ser exibidos filmes, peças, espetáculos de dança, shows e exposições.

A reabertura da casa marca o reencontro do escritor com sua cidade natal e o local onde viveu sua fase mais fértil. No ano seguinte, em 1922, ele publicaria seu segundo livro, Pauliceia Desvairada, dando início a uma intensa produção literária.

Mário de Andrade chegou a casa na Lopes Chave em 1921, quando sua mãe, já viúva, comprou o sobrado após vender a casa da família no Lago do Paiçandu. Ficou ali até 1945, quando morreu.

Meus pés enterrem na rua Aurora,

No Paiçandu deixem meu sexo,

Na Lopes Chaves, a cabeça

Esqueçam. (Lira Paulistana, Mário de Andrade)

A casa era, ao mesmo tempo, um abrigo para o escritor, um espaço reservado à intimidade pessoal, mas ao mesmo tempo tinha um caráter bastante social, pois era lá onde o escritor recebia seus amigos para festas e comemorações. E ele gostava da casa cheia.

Ele mesmo desenhou os móveis de seu escritório e biblioteca, inspirado pelo trabalho de Bruno Paul, que conheceu numa revista de arte alemã. Uma das marcas da residência, embora modesta, era o número de quadros, livros e discos que Mário acumulava.

Para quem é leitor habitual do escritor sabe que referências ao sobrado são frequentes em suas prosas e versos. Então, já era tempo de Mário voltar para casa.

SILHUETAS DE MÁRIO NA ENTRADA E NA LATERAL DA CASA. AMBAS SÃO FEITAS EM BRONZE. A SEGUNDA TEM SETE METROS DE ALTURA (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)
SILHUETAS DE MÁRIO NA ENTRADA E NA LATERAL DA CASA. AMBAS SÃO FEITAS EM BRONZE. A SEGUNDA TEM SETE METROS DE ALTURA (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)

 

VISTA DA CASA ONDE MÁRIO DE ANDRADE MOROU EM SÃO PAULO EM SUA FASE MAIS PRODUTIVA, DE 1921 ATÉ SUA MORTE (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)
VISTA DA CASA ONDE MÁRIO DE ANDRADE MOROU EM SÃO PAULO EM SUA FASE MAIS PRODUTIVA, DE 1921 ATÉ SUA MORTE (FOTO: ROTEIROS LITERÁRIOS)

 


Serviço

  • Rua Lopes Chaves, 546 – Barra Funda (perto do metrô Marechal Deodoro)
  • Telefone: (11) 3666-5803 / 3826-4085
  • Segunda a sexta-feira, das 13h às 22h; sábado das 9h às 13h
  • Entrada gratuita

Para ler

  • Pauliceia Desvairada, de Mário de Andrade
  • Lira Paulistana
  • O Turista Aprendiz, de Mário de Andrade