GAÍA PASSARELLI EM POSITANO, NA ITÁLIA (Arquivo Pessoal)
GAÍA PASSARELLI EM POSITANO, NA ITÁLIA (Arquivo Pessoal)

Quando era pequena, “cair na estrada” para Gaía Passarelli era fazer pequenas viagens acompanhando o pai, músico, ao lado da irmã e da mãe, e curtir as tradicionais férias de verão na praia, também com a família, um programa que todos nós fizemos. Mas isso até o avô dar a ela a real dimensão do que pode ser a experiência de viajar.

“Ele (o avô) me levou pela primeira vez para ver as Cidades Históricas de Minas Gerais, o Amazonas, as praias do nordeste, o sul do Brasil. Ele e minha avó viajavam muito. Eu adorava o momento em que eles chegavam de viagens, a vida deles parecia uma coisa muito emocionante! Foi por eles que ouvi pela primeira vez descrições do Egito, da Rússia, do Havaí… Meu avô falava que a gente tem que saber se comportar em qualquer lugar, tem que saber conversar com qualquer tipo de pessoa e se interessar por todas as coisas. Que tudo no mundo é assunto e não tem nada mais chato que gente que não sabe conversar. Acho que isso é totalmente aplicável a viajantes e escritores”, conta.

Gaía é velha conhecida de quem acompanha o mundo da música. Jornalista musical, fundou o site rraul, passou pela MTV e hoje se dedica ao projeto How to Travel Light, onde ela conta sobre suas andanças pelo mundo e oferece roteiros personalizados para quem não sabe bem o que procura na próxima viagem – saiba você para onde vai ou não. Pessoalmente, ela conta que seu país preferido é a Itália, aquele lugar onde voltar é sempre um bom programa.

“Vejo muito do meu avô, da minha criação, dos nossos costumes. Me sinto a vontade com a comida, com a língua, com o jeito atrapalhado e alegre dos italianos que é parecido com o nosso. Essa viagem foi com a Eurail, a proposta era circular entre algumas das principais cidades turísticas italianas e contar as experiências no blog. Já publiquei alguns, mas foi o tipo de viagem ‘seis meses em quinze dias’ que vai render muito assunto ainda!”, conta.

É dessa viagem que ela divide o que levou — e o que levar — na bagagem literária.

 

“Eu sempre viajo com o Kindle, porque permite que levar com centenas de livros sem pesar na bagagem. Mas dessa vez levei um só, em papel, o Horas Italianas, do Henry James. É uma coleção de observações sobre a Itália (Veneza, Florença, Roma, as mesmas cidades por onde passei dessa vez) publicado no começo do século passado. Achei que renderia uma comparação legal com a Itália de hoje, mas acabei não lendo mais que algumas páginas. Sendo honesta, acabei super-inspirada para escrever e deixei o livro no fundo da mala”.

livrosgaia

 

Embora tenha seguido carreira no meio da música, os livros nunca foram um planeta distante de Gaía. Pelo contrário.

“Meus pais liam muito, sempre teve livro em casa – biografias, quadrinhos, contos de fadas, política, ficção científica, música, poesia. E não existia tabu, essa coisa de ‘isso não é pra sua idade’. Eu tinha liberdade de pegar qualquer livro e ler. Com 13 anos já tinha lido de Caio Fernando Abreu a Kafka. Acho que quando você cresce vendo as pessoas ao ser redor lendo, vem naturalmente. Tento fazer o mesmo com o meu filho. Tenho um Kindle que é meu gadget preferido mas não parei de comprar livro físico também. Tento ler um livro por semana, mesmo sendo cada vez mais difícil achar tempo e concentração. Acabei de ler The Sheltering Sky, do Paul Bowles, e estou lendo Travels With Charley, do Steinbeck. Rola uma temática viagem forte (risos)”. Agora, os livros que ela recomenda para quem estiver de viagem para a Itália:

 

“Calor, de Bill Bufford. Não é específico sobre Itália, mas pelo menos metade se passa na Toscana, calorpra onde ele viaja para aprender a cozinhar. Dá uma boa ideia do quanto se leva a comida a sério na região e o relato é hilário”.

 

No livro, Buford (só por curiosidade, trata-se do mesmo autor do ótimo Entre os Vândalos, sobre os hooligans, os torcedores do futebol inglês) traça o perfil de Mario Batali, um dos chefs de cozinha mais famosos dos Estados Unidos. Mas além desta história, o escritor também conta o seu aprendizado na cozinha. Ele foi até trabalhar em um açougue.

 

Venice, de Jan Morris, que não sei se saiu em português. Morris (que nasceu James e se tornou Jan oficialmente nos anos 70) escreveu extensamente sobre o Reino Unido, sobre o Império Romano, sobre sua redescoberta de gênero e no meio do caminho fez relatos maravilhosos de cidades em todos os continentes. Venice é um deles e é informativo, emocionante, inesperado e delicioso”.

Jan Morris é considerada uma das grandes escritoras do gênero literatura de viagem e, por mais de uma vez, este livro foi definido por jornais e revistas como o “livro de Veneza”.

Para seguir a Gaía por aí: Facebook e @gaiapassarelli no Twitter e Instagram.

 

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PARA LER

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  • Horas Italianas, de Henry James (Autêntica)
  • Calor, de Bill Bufford (Companhia das Letras)
  • Venice, de Jan Morris (em inglês, sem tradução para o português do Brasil – mas tem edição de Portugal)

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