Em Londres, um casarão antigo de três andares, com fachada de pedras sóbrias na Doughty Street tem um poder mágico. Ainda não se sabe exatamente o que se passa lá dentro, mas há relatos de visitantes sobre uma espécie de viagem no tempo.

A escrivaninha famosa
A escrivaninha famosa

Essa tal viagem começa logo que o visitante adentra à casa: a decoração vitoriana entrega logo de cara o período em que seu morador mais famoso viveu ali.

Outras pistas como manuscritos, edições raras de livros e itens pessoais, como uma escrivaninha, vão delineando esse personagem tão especial, que deu aos leitores do mundo todo tantos outros personagens marcantes.

Para os mais distraídos, a ficha cai realmente quando o guia do museu dá a cartada final: ali, naquela escrivaninha, esse tal escritor britânico escreveu um de seus maiores clássicos: Oliver Twist.

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A fachada do museu, que fica em Bloomsbury

Pois é, estamos falando do Museu Charles Dickens, que fica na região de Bloomsbury, no centro de Londres, uma área que respira arte, ciência e literatura. É ali, por exemplo, que ficam a University of London, o Senate House, (a biblioteca principal da universidade), e o Museu Britânico.

Não bastasse isso, o bairro também já abrigou outros grandes contadores de histórias como Virginia Woolf e o poeta William Yeats.

O museu é mantido pela Dicken’s Fellowship, uma organização internacional fundada em 1902, e responsável por impedir a demolição da casa.

Detalhes da decoração
Detalhes da decoração
Charles Dickens Museum - interior and exterior photography
O quarto do casal

Dickens viveu no casarão entre os anos de 1837 e 1839 com a esposa e o filho mais velho.

Hoje, o lugar se transformou num museu-casa, ou seja, preservou o mobiliário e os itens pessoais do escritor, que são exibidos para visitação, apesar de não apresentar a reconstituição exata do período vivido lá .

Ele é o museu que abriga a mais importante coleção de objetos relacionados a Dickens.

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O museu tem um café

Depois de passar por uma reforma em 2012, a visitação ficou mais completa.

Há audioguias para auxiliar nas dúvidas, um centro de informações e um café com um jardim agradável aos fundos, além de elevador e maior acessibilidade a pessoas com deficiência.

Há também alguns detalhes peculiares: o visitante vai ouvindo trechos dos romances de Dickens lidos pelo ator inglês Simon Callow, enquanto passeia pelos ambientes da casa.

O espaço também promove algumas exposições temporárias, como a do figurino do filme “Grandes esperanças”, adaptação do livro homônimo de Dickens. Veja a agenda aqui.

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Sala de jantar com louças da época

Em dezembro, há uma programação especial de Natal, já que o livro A Christmas Carol (Um conto de Natal), é um dos mais marcos da obra de Dickens. É um dos poucos museus de Londres que abre suas portas no dia 25 de dezembro, e oferece bebida e comidinhas natalinas aos visitantes.

O museu decorado para o Natal, em dezembro
O museu decorado para o Natal, em dezembro

Além dos itens pessoais, o museu também exibe algumas peças garimpadas que são citadas nas obras de Dickens, como por exemplo a janela de Pyrcroft House, que aparece em Oliver Twist.

Há também objetos que o autor via pelas ruas de Londres e incluía em sua obra, que denotam bem o comércio londrino da época. Um desses exemplos é a estátua de uma marinheiro, que aparece em Dombey and Son.

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Ainda sobre os objetos, o museu exibe uma tela inacabada que retrata o escritor já idoso, repousando numa cadeira em seu gabinete de trabalho, rodeado por seus personagens.

As figuras dos personagens que o rondam se assemelham a borrões, inacabados, imagem que remete bastante ao universo dickensoniano, meio fantasmagórico.

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Tela em exposição no museu [todas as fotos são do site do museu]
SERVIÇO

Museu Charles Dickens

  • 48 Doughty Street, London, WC1N 2LX
  • Estação de metrô mais próxima: Russell Square (Piccadily line), Holborn (Central), King’s Cross/St. Pancras
  • Horário de funcionamento: diariamente das 10h às 17h (última entrada às 16h)
  • Ingresso: £8,00 (adultos) e £4,00 (6 a 14 anos)

PARA LER

  • Oliver Twist (1837): Oliver foi o primeiro órfão carente de uma série de personagens do autor. A série continuaria até 1839.
  • A vida e as aventuras de Nicholas Nickleby (1838): a história concentra-se no tema de predileção do autor: o modo de se criar crianças, repressão e punições utilizadas
  • Um conto de Natal (1843): a repercussão positiva sela sua fama e encoraja-o a escrever uma história de Natal para cada mês de dezembro. A compilação destas histórias em livro seria conhecida como The Christmas Books.
  • Dombey e filho (1847): narrativa a partir da qual sua visão de mundo se ensombrece, com críticas sociais mais radicais e humor cada vez menos terno e mais selvagem. A publicação do romance perdura até abril de 1848.
  • David Copperfield (1849): Dickens escreveu que, de todos os seus livros, gostava mais deste. E que, como muitos pais, ele tinha um filho preferido, e seu nome era David Copperfield.
  • Grandes esperanças (1861): a obra é considerada por muitos a melhor narrativa do autor. Retoma as leituras públicas, que têm continuidade em 1862.*Com informações da LP&M