por Maria Fernanda Moraes

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Clarice Lispector nasceu na Ucrânia e chegou ainda bebê ao Brasil com a família, que fugia da Revolução Bolchevique.

Sempre lutou por sua naturalização e chegou a ficar chateada, certa vez, quando no perfil da tradução de um livro seu publicado na França, constava a informação de que era ucraniana.

Foi casada com um cônsul e morou em vários lugares do mundo. Mas mantinha uma história especial com o Rio Janeiro, sua casa por muito tempo.

No site dedicado à escritora que o Instituto Moreira Salles (IMS) produziu, há um mapa interativo que relaciona alguns dos muitos pontos da cidade que aparecem em sua obra.

Ao clicar em cada ponto do mapa, é apresentado o trecho em que o local é citado e o nome do livro relacionado a ele: http://claricelispectorims.com.br/Rio

Mapa ilustrado com trechos dos livros (imagem: IMS)
Mapa ilustrado com trechos dos livros (imagem: IMS)

Os lugares por onde Clarice passou no Rio

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A família Lispector. Da esquerda para direita: Mania, Clarice e Pedro (sentados); Elisa e Tania (em pé). Recife, década de 1920 (foto: IMS)

A história de Clarice Lispector com o Rio de Janeiro começa em 1935 e vamos listá-los aqui, um a um.

Alguns anos antes, em 1922, a família (pai, mãe e três meninas) havia desembarcado em Maceió, vinda da Ucrânia, onde Clarice, a filha mais nova, nasceu.

Depois de Maceió, a família passou a viver em Recife por algum tempo. É lá onde falece a mãe de Clarice, que já vinha doente. O pai decide então, junto com as três filhas, tentar a vida no Rio de Janeiro.

Clarice no Flamengo, na Tijuca, Botafogo, Catete e Leme

Logo na chegada à cidade, alugaram um quarto na residência, no Flamengo, de Nathan e Frida Malamud, casal de judeus russos que lhes fora recomendado.

Depois, os Lispectors se mudam para uma casa antiga, perto do campo de São Cristóvão. Em seguida, ocupam parte da casa de número 341 da rua Mariz e Barros, na Tijuca.

Clarice, na época do ginásio (foto:IMS)
Clarice, na época do ginásio (foto:IMS)

Clarice passa a frequentar o quarto ano do curso ginasial no colégio Sílvio Leite, na rua de sua casa, número 258, mesma escola em que se inscrevem as irmãs.

Depois do ginásio, a escritora começa o curso superior na Faculdade Nacional de Direito. Mora, então, na rua Lúcio de Mendonça (atual Albert Sabin), 36-B, casa 3, na Tijuca.

Em 1940, Pedro Lispector, o pai, vem a falecer em decorrência de uma cirurgia de vesícula malsucedida. É nessa época que produção ficcional de Clarice começa  e as três irmãs passam a morar juntas, na residência de Tania (a mais velha) que se casara em 1938, com William Kaufmann –, situada à rua Silveira Martins, 76, casa 11, no bairro do Catete.

Seu primeiro romance Perto do coração selvagem, título sugerido por seu amigo e também escritor Lúcio Cardoso, foi escrito em 1942, de março a novembro, tendo sido concluído em mês de isolamento numa pensão da rua Marquês de Abrantes, no Botafogo.

clarice3No ano seguinte, Clarice se casa com Maury Gurgel Valente, que era cônsul. O casal mora temporariamente na casa dos sogros de Clarice, Mozart e Maria José Gurgel Valente, na rua do Russel, 102, apto. 302, no bairro da Glória — mudando-se, em seguida, para a rua São Clemente, 403, em Botafogo.

Devido ao trabalho do marido, iniciam uma temporada longa fora do Brasil, começando por Nápoles, na Itália.

 

Clarice com o filho Paulo, no Leme (foto: IMS)
Clarice com o filho Paulo, no Leme (foto: IMS)

De volta em 1949, os Gurgel Valentes fixam residência à rua Marquês de Abrantes, 126, apartamento 1.004, no bairro do Flamengo. Em 1959, quando separa-se do marido e já está de volta ao Rio com os dois filhos, mudam-se, para o Leme; o novo endereço da família seria rua General Ribeiro da Costa, 2, apto. 301.

Com os dois filhos na praia
Com os dois filhos na praia

No ano seguinte, fixa-se definitivamente no bairro, comprando o apartamento 701 de um prédio, que ainda estava sendo construído, localizado à rua Gustavo Sampaio, 88, no Leme. Muda-se em 1965, onde fica até a morte, em 1977.

A escritora falece no dia 9 de dezembro, véspera de seu aniversário às 10h30. É uma sexta-feira e, em observância às leis judaicas quanto ao shabat, não pode ser sepultada. O enterro, no Cemitério Comunal Israelita, no bairro carioca do Caju, acontece, então, no dia 11, domingo.

CLARICE ETERNIZADA NO LEME

A Secretaria de Conservação do Rio de Janeiro divulgou a informação que o escultor Edgar Duvivier está encarregado de fazer uma estátua para homenagear a escritora. Clarice vai estar como gosta: no Leme e ao lado do Ulisses, seu cachorro.

Protótipo da estátua divulgada no instagram por Gregório Duvivier, filho do escultor
Protótipo da estátua divulgada no instagram por Gregório Duvivier, filho do escultor

* Com informações da biografia disponibilizada pelo site do IMS, feita por Nádia Battella Gotlib.

PARA LER:

  • Clarice – Uma vida que se conta, de Nádia Battella Gotlib, Editora Ática
  • Clarice Lispector: fotobiografia, de Nádia Battella Gotlib, Editora Edusp
  • Clarice, de Benjamin Moser. Editora Companhia das Letras