por Maria Fernanda Moraes

map


Em inglês, travel writing. Aqui pra gente, é conhecido como Literatura de Viagem (para ficção) ou Narrativa de Viagem e Jornalismo Literário de Viagem (para não-ficção).

Eu, particularmente, acho delicioso e bem democrático esse tipo de leitura. E, com a abertura do mercado para esse segmento, hoje em dia você encontra formatos bem variados, como aqueles direcionados mais para o ensaio pessoal, ou com foco na natureza (o que pode incluir também esportes radicais e turismo de aventura, por exemplo), ou ainda voltado à jornada interior – quem não se lembra do best seller Comer Rezar Amar?

Fizemos uma lista bem variada de livros de viagem, para todos os gostos:

    • Os Lusíadas, Luís de Camões (Ed. L&PM)

    lusiadas__os_9788525417510_mBom, pra começar, vamos respeitar os clássicos, né? Esse épico português pode passar despercebido nessa categoria, mas ele é um dos mais clássicos livros de viagem.

    Narra a trajetória de Vasco da Gama rumo às Índias, em plena euforia renascentista das grandes navegações. Camões traz uma mistura de fatos históricos e mitologia e exalta o heroísmo não só dos portugueses mas também da Europa que vivenciava na época a transição para a Era Moderna.

 

 

 


    • Viagens de um naturalista ao redor do mundo, volumes 1 e 2 (Ed. L&PM)

darwinPara quem gosta da intersecção entre narrativa de viagem e outras especialidades, essa é a pedida. Este livro conta sobre a viagem feita em 1831, pelo naturalista britânico Charles Darwin a bordo do navio Beagle.

Durante cinco anos ele passou pela América do Sul, Terra do Fogo, Andes, ilhas Galápagos e Austrália. As anotações e observações dessa jornada foram fundamentais para a elaboração das teorias da evolução e seleção natural

 

 

 

 


    • O grande bazar ferroviário, Paul Theroux (Ed. Objetiva)

theroux1Theroux é um dos autores mais conhecidos nesse gênero e tem vários livros nessa pegada, com cenários diferentes. Aqui, escolhemos falar sobre O grande bazar ferroviário, narrativa em que o autor sai de Londres rumo ao Extremo Oriente pontuando suas observações argutas com sutileza e ironia.

O trem é o meio de transporte que faz da jornada um trajeto inusitado, com situações que retratam a riqueza e a diversidade cultural das regiões por onde Theroux passa. Também vale ler A arte da viagem, do mesmo autor.


    • A arte de viajar, Alain de Botton (Ed. Intrínseca)

A-Arte-de-Viajar-Alain-de-Botton-em-PDF-ePub-e-Mobi-370x521O autor associa o desejo de viajar para lugares distantes à busca da felicidade e faz uma reflexão sobre as motivações que levam o viajante a abandonar o conforto do lar e a enfrentar o desconhecido.

Em seu passeio pelo universo das viagens, Botton se desloca por Barbados, Amsterdã, Madri e o deserto do Sinai, examinando o sublime e o comezinho, descobrindo o lado exótico dos aeroportos estrangeiros e o discreto charme dos postos de gasolina de beira de estrada.

 

 

 

 


    • Passaporte para a China, Lygia Fagundes Telles (Ed. Companhia das Letras)

lygiaO livro reúne 29 crônicas que formam um diário de bordo, ambientado em várias cidades da China. Era o ano de 1960 quando delegações de todo o mundo participaram da festa do 11º aniversário do socialismo chinês e Lygia Fagundes Telles foi incluída no grupo brasileiro. Antes de embarcar, ela recebeu outra proposta – enviar relatos da viagem para o jornal ‘Última Hora’.

Daí surgiu o livro, que traz o olhar da autora sobre as paisagens, monumentos, roupas, costumes. Além das anotações de viagem, também há evocações literárias, recordações de infância e reflexões sobre o país natal. O livro conta ainda com um pequeno caderno de fotos tiradas durante a viagem.

 


    • Paratii, Amyr Klink (Ed. Companhia das Letras)

paratiiO livro nasceu das anotações do diário de bordo do navegador, acostumado a desbravar os mares sozinho. Ele relata sua viagem no final de 1989, a bordo do Paratii, seu veleiro, rumo ao continente gelado no extremo Sul e em seguida para as geleiras do Polo Norte.

Foram 50 mil quilômetros até chegar à Antártida e às geleiras do Ártico. Vale ler também Cem dias entre o céu e o mar, em que Klink narra a  travessia de mais de 3500 milhas (cerca de 6500 quilômetros) desde o porto de Lüderitz, no sul da África, até a praia da Espera no litoral baiano, a bordo de um barco a remo.

 


    • Diários de Bicicleta, David Byrne (Ed. Amarylis)

diarios-de-bicicletaTalvez você conheça David Byrne como o ex-líder à frente da banda de rock Talking Heads. Mas ele também é ativista e defensor do uso da bicicleta como meio de transporte nas grandes cidades, e descreveu suas experiências com a bike pelo mundo nesse livro.

Diários de bicicleta é a reunião de vários escritos do autor ao longo dos últimos anos de Berlim a Buenos Aires, de Istambul a São Francisco, de Manila a Nova York. Num estilo despojado que passeia entre ensaio, relato de viagens, diário pessoal e álbum de fotos, ele registra também suas reflexões sobre uma variedade de assuntos: política, filosofia, música, planejamento urbano, etc.


    • Colômbia Espelho América 26: Dos Piratas A García Márquez, Viagem Pelo Sonho da Integração Latino Americana, Edvaldo Pereira Lima (Clube de Autores)

colombiaEm formato de ensaio pessoal, o autor discute na viagem ao país vizinho, o tema subjacente da integração latino-americana.

A Colômbia e instantâneos de sua gente, seu filho ilustre Gabriel García Márquez, sua rica imaginação popular, seus épicos, seus dramas e dores. Mas também cores. Caribe. E o sonho de toda a América Latina, ali cultivado em vislumbres de altos ideiais, corroído pelo manto sombrio de grandes pesadelos.

 

 

 


    • Na Síria, Agatha Christie (Ed. Tinta da China)

agathaEsta é a única obra não ficcional de Agatha Christie na coleção de literatura de viagens coordenada por Carlos Vaz Marques, na editora portuguesa Tinta da China.

Com o seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan, Agatha viajaria um pouco por todo o mundo, participando nas suas escavações arqueológicas, mas nunca abandonando a escrita, nem deixando passar em claro a fonte de conhecimentos e inspiração que estas representavam.

Foi no deserto sírio que Agatha escreveu muitos de seus crimes e este livro é a memória de como ela foi inteiramente feliz ali.

 


10.

    • Diário de viagem, Albert Camus (Ed. Record)

camus-620x3001Publicado na França em 1978, este livro traz os relatos do filósofo existencialista em relação aos Estados Unidos (1946) e à América do Sul (1949), com uma passagem inclusive pelo Brasil.

Aqui, encontra-se com intelectuais, artistas e escritores, pessoas com as quais pode fazer observações sensíveis como o país é um lugar “onde os sangues misturam-se a tal ponto que a alma perde seus limites”.

Se você lembrou de algum que não está na lista, deixe aqui nos comentários suas sugestões que em breve teremos a parte 2 🙂