por Maria Fernanda Moraes

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Fachada da casa onde Emily viveu (foto: acervo museu)

emily-dickinson-001Nascida em 1830, no estado do Massachusetts, nos Estados Unidos, a poeta Emily Dickinson só foi reconhecida por seu trabalho depois da morte.

Ela viveu numa cidade pequena chamada Amherst, perto de Boston, uma das regiões de raízes mais puritanas e conservadoras do país, e morreu no mesmo local, em maio de 1886.

Parede do museu com as fotos de família (foto: acervo museu)
Parede do museu com as fotos de família (foto: acervo museu)

Ainda pequena, estudou no Amherst College, fundado por seu avô, e aos dezessete anos, entrou para o Mount Holyoke Female Seminary, um colégio para moças que abandonou menos de um ano depois, alegando problemas de saúde.

Depois dessa experiência, voltou para a casa dos pais e optou pela reclusão por mais de vinte anos. Foi solteira por convicção numa época em que as mulheres tinham a obrigação social de se casar.

As pessoas mais próximas da poeta foram seus irmãos, Lavinia e Austin, e a mulher dele, Susan Gilbert, que além de amigos eram parceiros intelectuais.

O quarto da escritora (foto: acervo museu)
O quarto da escritora (foto: acervo museu)

A casa em que viveu foi transformada em museu no ano de 2003. Ele abrange duas propriedades, na verdade.

São duas casas históricas: The Homestead e The Evergreens. A primeira foi onde Emily nasceu e morreu e a segunda era onde moravam seu irmão com a família.

O icônico vestido de Emily, numa das exposições do museu (foto: acervo museu)
O icônico vestido de Emily, numa das exposições do museu (foto: acervo museu)

Hoje em dia o museu é administrado pelo Amherst College (que como já falamos antes, tem relação com a família da poeta).

Além de oferecer visitas, a instituição também investe na área educacional promovendo a poesia (com workshops e palestras); na divulgação da obra da poeta e na preservação das duas construções históricas, visando o aprimoramento na restauração dos edifícios.

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Jardim do museu

Emily e a irmã tinham paixão por plantas, que dizem, foi herdada da mãe. Juntas, foram responsáveis pelo belo jardim que existe na propriedade e que pode ser visitada no museu.

 I was reared in the garden, you know.”

[Carta de Emily Dickinson para Louise Norcross, Abril de 1859]

Em sua época de reclusão, costumava enviar flores junto a seus poemas aos amigos em épocas de aniversários, para expressar condolências ou quando estavam passando por momentos delicados.

Intrusiveness of flowers is brooked even by troubled hearts.
They enter and then knock – then chide their ruthless sweetness, and then remain forgiven.
May these molest as fondly”

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Coleção de livros da poeta expostos no museu

Emily nasceu numa família que adorava ler, cresceu rodeada de livros e logo se tornou uma leitora voraz. Um dos projetos do museu hoje em dia é restaurar os títulos que pertenceram a ela e que, imagina-se, que ela leu. Todos estão em exposição no museu.

 I am glad there are Books. They are better than Heaven, for that is unavoidable, while one may miss these.” 

[Carta de Emily Dickinson para F. B. Sanborn, aproximadamente em 1873]

 

Cozinha de Evergreens
Cozinha de Evergreens

Emily trocava muitas cartas com amigos e elas dão conta de que a cozinha parecia ser um dos lugares preferidos da poeta na casa, onde ela se sentia confortável.

 I am going to learn to make bread to-morrow. So you may imagine me with my sleeves rolled up, mixing flour, milk, salaratus, etc., with a great deal of grace. I advise you if you don’t know how to make the staff of life to learn with dispatch.” 

[Carta de Emily Dickinson para Abiah Root, Setembro de 1845]

 

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Muitos esboços de poemas seus foram escritos em papéis de cozinha e também atestam que era um espaço de efervescência criativa para ela.

Obra póstuma

Quarto da poeta (foto: acervo museu)
Quarto da poeta (foto: acervo museu)

Foi Lavinia, a irmã, quem encontrou uma gaveta cheia de escritos ao arrumar o quarto de Emily após sua morte.

Eram cadernos e folhas com seus poemas inéditos, que foram publicados pela irmã postumamente e tiveram ótima acolhida da crítica.

Em 1955, o crítico e biógrafo Thomas H. Johnson reuniu numa edição definitiva todos os seus 1.775 poemas.

Daí em diante a obra de Emily Dickinson passou a ser reverenciada por uma crescente legião de críticos e leitores.

Com uma poética concisa, irônica, fragmentada e aberta a várias possibilidades de interpretação, muitos críticos alegam que ela antecipa, sob muitos aspectos, os movimentos modernistas que se sucederiam depois de sua morte.

PARA LER:

Seus versos constam da coletânea “The Complete Poems of Emily Dickinson“, editada por Thomas H. Johnson, Cambridge, Mass (EUA), 1955.

No Brasil, você pode encontrar os poemas de Dickinson nos livros:

  • “Emily Dickinson: Alguns Poemas”, tradução de José Lira. Editora Iluminuras
  • “Poemas escolhidos (Bilíngue)”, Emily Dickinson, tradução de Ivo Bender. Editora L&PM