por Maria Fernanda Moraes

VISITADOÀ medida que os passos vencem o longo corredor da estação de metrô da Times Square que leva até o terminal de ônibus Port Authority, em Nova York, os olhos mais atentos vão se angustiando com algumas palavras nas vigas do teto da passagem subterrânea.

São 18 delas que, juntas, formam um poema: “Commuter’s Lament or A Close Shave” (Lamento de um passageiro ou Por um triz, em tradução livre).

Poema na passagem subterrânea que liga a Times Square ao terminal de ônibus Port Authority (foto: nydailynews)
Poema na passagem subterrânea que liga a Times Square ao terminal de ônibus Port Authority (foto: nydailynews)

Todos os metrôs são iguais, dirão os mais céticos. Mas uns com mais poesia que outros, eu diria (vide a Estação Sumaré, em São Paulo, por exemplo).

O poema enigmático já está na Times Square há 25 anos e se você já passou pelo mesmo uma vez por ali, provavelmente já se perguntou o que diabos essas palavras soltas fazem lá.

Overslept.
So tired.
If late,
Get fired.
Why bother?
Why the pain?
Just go home.
Do it again.

As frases vão sendo vistas à medida que o transeunte avança pela corredor (foto: nydailynews)
As frases vão sendo vistas à medida que o transeunte avança pela corredor (foto: nydailynews)

Segundo Sandra Bloodworth, diretora do MTA Arts & Design (Metropolitan Transportation Authority), em entrevista ao NY Daily News, a intenção do poema não é assustar, e sim brincar com a ironia do cotidiano, no melhor estilo do humor nova iorquino.

O poema foi instalado em 1991, como parte de um programa de arte temporária do MTA Arts que começou no final dos anos 80.

O artista que propôs a instalação foi Norman B. Colp, um nativo de Nova York. A ideia para o poema foi baseado nas campanhas publicitárias da Burma-Shave (uma empresa de creme de barbear), que distribuiu ao longo das estradas americanas algumas mensagens de forma homeopáticas: “Raspe a barba de forma moderna” e, alguns metros adiante: “Lave o rosto.” Colp faleceu em 2007 e seu poema ainda permanece lá.

Mas o que torna ainda mais interessante esse tipo de arte urbana são as intervenções posteriores. E o poema de Colp não passou ileso a elas. Em 2011, o universitário Josh Botwinick, do Bronx, virou notícia quando resolveu reverter a ideia pessimista que o poema passava a ele.

Intervenção no poema original (foto: nydailynews)
Intervenção no poema original (foto: nydailynews)

Digamos que ele escolheu fazer a intervenção com palavras mais inspiradoras e otimistas. O MTA retirou a intervenção pouco depois.

Intervenção de Josh em 2011 (foto: nydailynews)
Intervenção de Josh em 2011 (foto: nydailynews)

Alguém aí já viu esse poema lá? Confesso que ele me deu uma certa agonia 😮

 

 

[Com informações do NY Daily News]