por Leonardo de Lucas

O SOCIÓLOGO FLORESTAN FERNANDES
O SOCIÓLOGO FLORESTAN FERNANDES

Um raro intelectual militante com uma experiência singular, incomum e surpreendente. “Não conheço ninguém que tenha vencido na vida como ele venceu, partindo de onde partiu”. Assim disse Antonio Candido sobre esse exemplar único que foi Florestan Fernandes.

Os livros fizeram a diferença na vida desse sociólogo. Por meio deles e de sua dedicação extrema com os estudos, Florestan deu um salto qualitativo poucas vezes visto num país de desigualdades estruturais como o Brasil. E boa parte de sua vida se deu na cidade de São Paulo.

Foi no maior conglomerado urbano da América Latina que Florestan nasceu, cresceu e se constituiu como um dos maiores intelectuais brasileiros. Os contrastes do desenvolvimento da grande metrópole foram temas de seus estudos.

Este post tenta percorrer esse traçado difícil e tortuoso que marca a vida de Florestan Fernandes. Intelectual único por sua origem social, pela forma como conduziu suas pesquisas e teorias e pelo modo como lutou pela constituição e consolidação das Ciências Sociais como campo do conhecimento.

Sua trajetória é tão impressionante e tão determinante como o legado deixou. Homem de luta e de engajamento político, Florestan está presente em cada um dos grandes temas públicos que foram debatidos dos anos 40 até a metade da década de 90.

INFÂNCIA DE FLORESTAN FERNANDES

Em 22 de julho de 1920, nasceu na Maternidade São Paulo Florestan Fernandes. Sua mãe, Maria Fernandes, veio de Portugal com treze anos para o Brasil. Era viúva quando o filho veio ao mundo. Na época, trabalhava realizando serviços domésticos.

O pai Florestan não conheceu e seu nome só lhe foi revelado nos últimos anos da vida. O prédio da Maternidade hoje já não existe mais. Situado na rua Frei Caneca, lá nasceram também personalidades como Ayrton Senna, Amyr Klink e Nelson Motta.

Maria trabalhava numa casa grande da família Bresser, esquina da rua Bresser com a avenida Celso Garcia, no bairro do Brás. O nome do filho foi uma forma de homenagear o motorista da família, que muitas vezes cedia seu café da manhã para Maria.

O nome Florestan, de origem alemã, incomodou a dona da casa, Hermínia Bresser. Para ela alguém com uma origem como aquela deveria ter um nome mais simples. Pois Vicente foi o nome mais adequado que arrumaram para o rapaz. Assim ele era conhecido no interior da casa.

Apesar do tratamento inadequado, dona Hermínia foi como uma madrinha para o pequeno Florestan e este fato lhe rendeu contato com um mundo que se estendia para além do âmbito serviçal a que sua mãe tinha acesso.

Os livros e revistas infantis lhe foram apresentados e isso o causou certo entusiasmo. Tal circunstância possibilitou ao filho de dona Maria uma iniciação no desenvolvimento da curiosidade intelectual ainda bem pequeno.

A relação entre a chefe da casa e dona Maria se deteriora, o que faz com que mãe e filho se mudem para uma habitação de dois cômodos na periferia de São Paulo. Nesse período, Florestan volta a morar com dona Hermínia e a estudar na mesma escola que sua filha, mas dona Maria não suporta ver o filho longe e o traz de volta para perto de si.

Sem o amparo da família Bresser, Florestan passa a estudar no Grupo Escolar Maria José, na esquina da rua Manuel Dutra com a rua Treze de Maio, no bairro Bela Vista (cursou até o terceiro ano primário).

Aos seis anos limpava as roupas de uma barbearia na rua Maria Paula. Engraxou sapatos em vários lugares: na Bela Vista, no Cambuci e, por fim, no largo Ana Rosa, em frente à parada dos bondes. Para se divertir, por vezes, cabulava aula para subir o Morro dos Ingleses e espiar as casas das famílias abastadas que viviam por ali.

Nessa época, o pequeno Florestan teve de lutar literalmente para manter o ponto de trabalho. Com uma coragem tremenda e alguns planos na cabeça (estratégias de combate), o menino fraco conseguiu enfrentar jovens robustos, acostumados com conflitos de rua.

Antes de completar dez anos, trabalhou como auxiliar de alfaiataria. Como o local ficava longe da sua casa, dona Maria autorizou o filho a pernoitar numa cama improvisada no porão da casa.

Na total penúria, o pequeno exercitava sua imaginação, ouvindo passos, percebendo vultos; o pior mesmo eram os ratos e as baratas. A mãe de Florestan, ouvindo relatos do filho, foi conferir em que condições o menino vivia. No mesmo dia tirou-o de lá.

ADOLESCÊNCIA

Após muitos outros empregos aqui e ali, Florestan encontra um que mudaria a sua vida: o de garçom. Seu trabalho era no bar Bidu, na rua Líbero Badaró. O jovem aproveitava os momentos de tranquilidade entre um atendimento e outro para ler atrás do balcão.

Florestan toma contato com alguns fregueses que tinham apreço pela vida intelectual e que reconheciam e incentivavam o esforço do rapaz com livros. O jovem garçom era um estudante por conta própria, um autodidata. Os outros trabalhadores não entendiam aquilo e mesmo a sua mãe não aprovava a volta aos estudos.

FLORESTAN FERNANDES EM MANIFESTAÇÃO PELO ENSINO PÚBLICO
FLORESTAN FERNANDES EM MANIFESTAÇÃO PELO ENSINO PÚBLICO

Um dos frequentadores do bar consegue um emprego melhor para Florestan: o de entregador de amostras do Laboratório Novoterápica. Com as noites livres, o jovem volta a estudar e passa a assistir às aulas do curso de madureza do Ginásio Riachuelo.

Pela primeira vez, começa a se imaginar como um intelectual. O diretor da escola liberava a chave do prédio para os alunos que queriam continuar ficar lendo além do período normal. Nesse período, Florestan conhece sua futura esposa, Myrian Rodrigues.

VIDA ADULTA

Em janeiro de 1941 saiu a aprovação de Florestan no curso. Agora ele estava pronto para prestar o exame na universidade. A primeira opção que veio à mente do jovem foi Engenharia Química, na Politécnica.

No entanto, como o curso era integral, não havia como se manter financeiramente e continuar estudando ao mesmo tempo. Esse problema o levou a escolher algo que conciliasse as duas coisas. Foi daí que a graduação em Ciências Sociais tornou-se uma possibilidade viável.

Nesse tempo, para entrar no curso de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo era preciso dominar o idioma francês. Boa parte dos professores vinha da terra de Balzac e sem conhecer a língua era praticamente impossível conseguir acompanhar as aulas.

Era a “língua franca” da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Além disso, o essencial para o ingresso do aluno na graduação era mostrar-se capaz de discutir a obra do fundador francês da ciência sociológica: Émile Durkheim.

A seleção de Florestan contou com prova oral, discutindo aspectos do livro Da divisão do trabalho social de Durkheim. Na banca estava um dos professores franceses: Roger Bastide. Como o jovem estudante ainda não dominava plenamente a língua, pediu para que a prova fosse feita em português. Os professores se consultaram e consentiram com o pedido de Florestan.

No mesmo ano em que tinha terminado o curso de madureza ele iniciava o ensino superior na mais importante universidade do país. Era um tremendo salto para um rapaz filho de uma empregada doméstica e com uma formação acadêmica interrompida por longos anos.

O prédio da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras era o mesmo onde hoje é a sede da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, na Praça da República. Florestan logo se destacou entre os alunos, apresentando trabalhos de pesquisa empírica ao consolidado professor Roger Bastide.

Nessa época, o professor tomou conhecimento das dificuldades do jovem. Até 1947, Florestan continuaria conciliando seus estudos, e posteriormente seu trabalho como professor, com a venda e divulgação de produtos farmacêuticos e odontológicos.

PRAÇA DA REPÚBLICA, NO CENTRO DE SÃO PAULO, ONDE FICAVA A ANTIGA FFLC
PRAÇA DA REPÚBLICA, NO CENTRO DE SÃO PAULO, ONDE FICAVA A ANTIGA FFLC

O drama de Florestan levou Bastide a procurar o ensaísta e crítico de arte Sérgio Milliet, que na época era diretor da Biblioteca Municipal (atual Biblioteca Mário de Andrade), na esperança de conseguir algum trabalho remunerado para o jovem. Milliet pensou em usar as pesquisas de Florestan sobre o folclore paulistano para produzir artigos para o jornal O Estado de São Paulo.

O estudante receberia um montante por cada texto entregue. Bastide também procurou o sociólogo Emílio Willems, diretor da revista Sociologia, editada pela Escola de Sociologia e Política. Willems, vendo a qualidade do trabalho apresentado, procurou Fernando de Azevedo, titular da cátedra de Sociologia II da USP, para conversar sobre o jovem prodígio.

Por toda a vida do sociólogo ele adotou o que chamava de “disciplina monástica de trabalho”. Florestan dedicava até 18 horas diárias à leitura e ao trabalho intelectual, num raro poder de concentração. Lia de pé no ônibus, atrás do balcão (no trabalho), em lugares e em situações nada convencionais.

Florestan sempre encontrava tempo para estudar. Tinha horror de perder tempo. Nessa época, o sociólogo produziu o notável trabalho: As “trocinhas” do Bom Retiro (estudo sobre brincadeiras infantis).

O estudante de Ciências Sociais quase foi enviado à Europa para combater na Segunda Guerra Mundial. Um “imbrólio” provocado por uma missão cultural em que participava no Paraguai levou-o a não ser convocado.

A partir de 1941/42, começa um movimento de renovação dentro da USP no qual os alunos vão substituindo, aos poucos, os professores europeus. Com a entrada do Brasil na Guerra, a permanência de estrangeiros no país foi ficando cada vez mais difícil.

Florestan se casa com Myrian em setembro de 1944. Passam a morar juntos na travessa Raul Pompeia. Em 1945, Florestan é convidado por Fernando de Azevedo a ocupar o lugar de segundo assistente da cadeira de Sociologia II. Nessa época, mudam-se para a rua Nebraska, 392, no Brooklin.

Essa foi a casa em que mais tempo Florestan viveu. Nela recebeu “amigos, alunos, colegas da universidade, visitantes ilustres, militantes banidos, sindicalistas e políticos interessados na sua conversa, nos almoços caseiros de Myrian, na feijoada e na caipirinha que o professor preparava (mesmo quando o fígado adoecido já não permitia que ele compartilhasse a bebida). Mas, também, curiosos em conhecer a sua biblioteca”.

Antes disso, Florestan tinha recebido outros convites para ser assistente. Um deles foi para trabalhar com o economista Roberto Simonsen, consequência de um estudo feito para o professor Paul Hugon intitulado A evolução do comércio exterior no Brasil da Independência a 1940.

Nesse período, Florestan se aproxima de grupos políticos de esquerda, especificamente o Partido Socialista Revolucionário (PSR). Para ampliar sua formação intelectual, ele decide fazer pós-graduação na Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP), instituição com referência em professores norte-americanos com especialização em pesquisa empírica, de finalidade intervencionista.

Dos seminários na ELSP ministrados pelo professor alemão Herbert Baldus gestou-se um grande estudo de cunho funcionalista: A organização social dos Tupinambá. Em 1947, Florestan obtém o título de mestre com a defesa do trabalho. Depois iniciaria o doutorado com um tema também relacionado aos Tupinambá: A função social da guerra.

Esse é um momento em que Florestan se centrou em esforços para conduzir a sociologia na posição de ciência, reconhecida e respeitada. Na transição dos anos 1940 para os 1950 era comum ver pelos corredores da FFCL professores vestindo aventais brancos, como se estivessem num laboratório, manipulando produtos químicos.

Ainda no fim dos anos 1940, Roger Bastide procura Florestan para saber se ele estaria interessado em participar de uma grande pesquisa financiada pela Unesco. O estudo era sobre as relações sociais no Brasil.

A ideia era de que o país seria um contraponto positivo à experiência de segregação vivenciada nos Estados Unidos na época. Florestan organizou o trabalho de modo coletivo, que além de mobilizar muitos estudantes/pesquisadores, também contou com a participação de representantes da população negra.

O resultado veio numa diversa da imaginada pelos idealizadores. A pesquisa revelou que o preconceito no país se assenta sob as raízes profundas da escravidão. O trabalho também se contrapunha à tese de democracia racial, sustentada pelo reconhecido Gilberto Freyre.

A partir desse estudo, intitulado Brancos e negros em São Paulo, Florestan tornou-se um sociólogo mais crítico e militante. Em 1952, Florestan se torna professor de Sociologia I, substituindo Bastide. Pouco depois, o filho de dona Maria obtém o título de professor livre-docente com a tese Ensaio sobre o método de interpretação funcionalista na Sociologia.

Florestan forma um grupo de estudantes, entre eles Fernando Henrique Cardoso e Octavio Ianni, que depois ficaria conhecido como “escola paulista de sociologia”. Impõe um regime severo de estudos e de trabalho intelectual aos jovens. Um pouco antes de 1955, a FFCL é transferida para a rua Maria Antonia. No início dos anos 1960, Florestan participa de uma série de movimentos e de lutas pela educação pública.

ANTIGA SEDE DA FFCL NA RUA MARIA ANTÔNIA
ANTIGA SEDE DA FFCL NA RUA MARIA ANTÔNIA

Quando ocorre o golpe militar, Florestan está terminando a redação e organização de A integração do negro na sociedade de classes, estudo que seria defendido para a obtenção da cátedra de Sociologia I. O acirramento político e a atuação progressista do professor e dos que o acompanhavam foi visto como alerta para o governo militar.

Florestan é intimado a depor e em sua defesa escreve uma carta que o faria ser detido, em setembro de 1964, na sede da FFLC. Dali foi enviado à Sétima Companhia de Guardas, na avenida do Estado.

Três dias depois é libertado e recebido com emoção pelos alunos no prédio da rua Maria Antonia. Em 1965, passa um semestre nos Estados Unidos, ministrando um curso na Universidade de Columbia. Suas críticas ao governo tornam-se cada vez mais ásperas e duras.

Seu nome passa a ser constantemente citado nos jornais de grande circulação, seja para expressar ideias contrárias ao regime, seja para citar atritos pessoais e polêmicas.

Poucos meses depois da decretação do Ato Institucional Nº5, em 1969, tem-se a aposentadoria compulsória de 42 pessoas, dentre elas três professores da USP: Florestan Fernandes, João Batista Villanova Artigas e Jaime Tiommo. Dias depois, outra leva de aposentadorias atinge Octavio Ianni e Fernando Henrique.

O Ato Institucional Nº10 barrou o acesso dessas pessoas a outras instituições de ensino e pesquisa. No mesmo ano, Florestan, prevendo o pior, muda-se, sozinho, para o Canadá, onde foi convidado para lecionar na Universidade de Toronto, tornando-se professor titular.

Em 1973, volta ao Brasil por razões pessoais. Numa operação na próstata, recebe sangue contaminado e adquire o vírus da hepatite C, doença que causaria um lento e progressivo desgaste da sua saúde. Dois anos depois, a convite de dom Paulo Evaristo Arns, Florestan passa a dar aulas na pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

Nesse período, muitos livros do sociólogo são lançados e outros tantos ganham novas edições. Destacam-se a publicação de A revolução burguesa no Brasil e a coordenação de uma coleção da editora Ática chamada Grandes Cientistas Sociais.

A BIBLIOTECA FLORESTAN FERNANDES, NA USP, EM SÃO PAULO
A BIBLIOTECA FLORESTAN FERNANDES, NA UFSCar, EM SÃO CARLOS

No início dos anos 1980, passa a escrever com regularidade para a Folha de São Paulo na seção Tendências/Debates. Em 1986, o sociólogo se filia ao Partido dos Trabalhadores (PT), apesar de ter se mostrado crítico quanto a essa aproximação.

No mesmo ano, sua candidatura à Câmara Federal é lançada. Com uma campanha sem muitos recursos, é o quarto candidato mais votado do partido e se elege deputado federal. Como resultado do processo de produção da Constituição, dos embates políticos que vivenciou, Florestan reúne em Constituição inacabada uma coletânea de artigos que escreveu entre 1986 e 1988.

Em 1990, Florestan se muda para um apartamento na rua Manoel da Nóbrega, no bairro Paraíso. Ainda nesse ano, a Universidade de Coimbra comemora seu 700º aniversário e o sociólogo recebe o título de doutor honoris causa da instituição.

Sua atuação em Brasília continua intensa, indo contra uma diretriz do partido de se envolver na revisão da Constituição em 1993, propõe emendas para incorporar políticas afirmativas de inclusão das populações negras.

A hepatite foi debilitando o físico do sociólogo até não restar outra solução que não fosse o transplante de fígado. No dia 4 de agosto de 1995, Florestan se dirigiu para o Hospital das Clínicas para realizar a cirurgia.

Por conta de uma contaminação de bactéria no fígado utilizado, houve um processo progressivo de falência de órgãos que o levou a morte na madrugada do dia 10 de agosto. No mesmo dia, o corpo foi velado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e cremado na Vila Alpina.

 

Sobre o post
O livro Florestan: a inteligência militante de Haroldo Sereza foi utilizado como fonte de dados e como inspiração para a organização do roteiro biográfico. As informações sobre o Fundo Florestan Fernandes se baseiam nos livros O intelectual Florestan Fernandes e seus diálogos intelectuais e Florestan Fernandes 20 anos depois: um exercício de memória, ambos publicados pela UFSCar com apoio do Fundo.

PARA LER

  • Organização social dos Tupinambá, Florestan Fernandes
  • Folclore e mudança social na cidade de São Paulo, Florestan Fernandes
  • A integração do negro na sociedade de classes, Florestan Fernandes
  • A revolução burguesa no Brasil, Florestan Fernandes
  • Florestan: a inteligência militante, Haroldo Sereza

 

FUNDO FLORESTAN FERNANDES

Na Biblioteca Comunitária da UFSCar está localizado o Fundo Florestan Fernandes, o arquivo pessoal do sociólogo. Composto não só de seus mais de 12 mil livros, o Fundo conta também com fichas manuscritas das pesquisas, correspondências, cadernos, fotografias, cartazes e panfletos de campanhas eleitorais.

Os livros estão nas mesmas estantes de madeira e estão organizados tal qual Florestan os deixou. Há exemplares com notas do sociólogo nas margens ou mesmo autógrafos de intelectuais como Roger Bastide.

Outros itens raros podem ser encontrados, como uma carta de Talcott Parsons, conhecido sociólogo estadunidense, a Florestan na época do exílio no Canadá; ou um fichamento de 277 páginas, feito a mão, sobre a obra de Marx.

Desde 2009, a UNESCO reconheceu o Fundo Florestan Fernandes como patrimônio da Memória do Mundo, incluindo o arquivo como um dos conjuntos documentais relevantes para a humanidade. Em conjunto com essas ações, criou-se um museu com mais de 100 itens pessoais do sociólogo junto à biblioteca da UFSCar.

Entre os objetos, destacam-se o famoso arquivo de madeira que armazenava seus fichamentos manuscritos, a beca utilizada na premiação de Florestan na Universidade de Coimbra e a máquina de escrever em que tanto trabalhou. Na UFSCar também há um teatro com o nome do sociólogo.